Estudos têm sido feitos para entender como os sistemas escolares podem melhorar o desempenho dos alunos. Mona Mourshed, da Consultoria McKinsey, em palestra promovida pelo Todos pela Educação no último dia 14, conclui que medidas populares em reformas educacionais de vários países não têm tido resultado positivo na aprendizagem.
Investir mais em educação, mas gastar mal, não resolve a questão da qualidade do ensino. Entre 1970 e 1974, apesar do aumento significativo dos gastos com educação em países da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) como Bélgica, Reino Unido, Japão, Alemanha, Itália, França, Nova Zelândia e Austrália, os resultados educacionais, medidos por meio do aproveitamento dos alunos em matemática e ciências, estagnaram. A Finlândia gasta menos por aluno e tem melhores resultados de aprendizagem no PISA do que, por exemplo, a Suécia, Noruega e Dinamarca. Mais recursos para a educação podem ser necessários - no caso brasileiro são - mas é preciso bem geri-los.
No ensino primário e secundário, o número de alunos na turma - 20, 28 ou 35 - não altera a aprendizagem. De 112 estudos que examinaram os efeitos da diminuição do tamanho das turmas sobre o aproveitamento dos alunos, observou-se efeito positivo em apenas 9 casos, nenhum efeito em 89 situações e efeito negativo dessa diminuição em 14 casos. As variações da qualidade dos professores superam totalmente qualquer efeito da alteração do número de alunos por turma no ensino fundamental e médio. Isso faz diferença somente na educação infantil.
Maior autonomia da escola, se ela não estiver preparada para priorizar a sala de aula, pode até mesmo piorar a aprendizagem, pois transforma o diretor num gerente de compras e obras. A comparação dos resultados de aprendizagem em leitura dos alunos do 4º ano de escolarização nas escolas charter - financiadas com recursos públicos mas geridas pelas comunidades de forma autônoma - e outras escolas públicas nos Estados Unidos em 2003 mostra pouco variação, com ligeira vantagem para as escolas públicas.
O que faz diferença? Segundo Mona, a reposta parece simplória: o professor. Alunos com igual desempenho aos 8 anos de idade terão trajetórias escolares e posições radicalmente diferentes aos 11 anos se tiverem professores com alto ou baixo desempenho profissional. Os países com reformas educacionais bem sucedidas apostaram nos professores. Preocuparam-se em recrutar os melhores alunos dos cursos de graduação e adotar processos sérios de seleção e acesso ao magistério. Empenharam-se em recuperar o prestígio do professor na sociedade, o que não se resume ao salário - a Inglaterra fez inclusive campanha publicitária. Instituíram salários iniciais atraentes, o que resultou em carreiras com diferenças menores entre salário inicial e final - é o caso da Finlândia. Levaram o desenvolvimento profissional para a sala de aula, permitindo aos professores que apresentem as melhores práticas de ensino e, aprendendo uns com os outros, em conjunto criem e divulguem novas práticas de excelência. Implementaram processos permanentes de inspeção, avaliação e acompanhamento permanente do desempenho das escolas e dos alunos, para promover o sucesso escolar de todos os alunos. Por fim, os sistemas escolares bem sucedidos desenvolveram processos de recrutamento e formação para dirigentes de escola, para assegurar competência e liderança aos gestores escolares.
A educação brasileira tem problemas que os países desenvolvidos não têm. Precisamos enfrentar, por exemplo, a falta de condições físicas de grande parte das escolas e a violência vivenciada nas escolas das periferias das grandes cidades e precisamos avançar na valorização do magistério.
Na Semana do Professor, a Secretaria da Educação destacou um conjunto de atividades que expressam desde o compromisso do Governo Yeda Crusius com a recuperação física das escolas estaduais, com a inauguração de obras escolares, até o resgate da história da educação gaúcha, com a homenagem a 187 escolas criadas em 1958, que fazem 50 anos em 2008, e principalmente o Governo reconhece os professores gaúchos de qualidade de ontem e de hoje, concedendo a Medalha do Professor Emérito no Dia do Professor e homenageando a professora estadual que recebeu o prêmio internacional Educadores Inovadores da Microsoft.
Somente com Professor de Qualidade para Todos é possível assegurar Boa Escola para Todos!
Autora: Mariza Abreu, Secretária Estadual da Educação
Fonte: Secretaria da Educação do RS