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21/08/2009
Lições de vida

O empresário Jorge Gerdau participou esses dias de um encontro promovido pela Junior Achievement  . Quatrocentos jovens refletiram  sobre o tema “O Empreendedorismo  como fator de desenvolvimento. “  Para  quem não conhece a Junior, trata-se de uma empresa sem fins lucrativos a desenvolver a cultura do empreendedorismo entre jovens.  Foi  sabatinado  sobre questões relevantes do mundo  e escolha profissional.  Permito-me, ousadamente, dividir com os leitores a essência daquela fala.

Começa falando que nenhum país se desenvolverá se  a  ele estiver atrelada a cultura  do cerceamento das liberdades,  sejam elas chamadas religiosas, culturais, políticas.  A liberdade da expressão é condição para o desenvolvimento. Aliás, o crescimento de uma nação estará sempre atrelado a construção de uma sociedade que perceba o fortalecimento do civismo como condição e garantia das  ditas liberdades.

Quando questionado sobre a questão da sustentabilidade social, fala com sabedoria que a mesma não se separa da econômica e  ambiental. Robert Putmann  afirmou que o desenvolvimento de qualquer nação precisa estar ligado ao  crescimento do seu povo.  Isso também significa garantir a preservação do meio ambiente, permitindo que o ecosistema seja respeitado  e visto como a casa de todos nós.  Alguém dirá: “Que coisa mais óbvia. Sim, é verdade!”   Nessa simplicidade se esconde um dos maiores preceitos éticos a ser legado para as novas gerações.

É possível formar um líder? Gerdau responde que não. A visualização do capital social de liderança está ligado as oportunidades que forem dadas as novas gerações. Oportunidades que podem nascer do olhar profético diante da criança e do jovem que será capaz de fazer a diferença em sua comunidade. Lideranças de todos os quadrantes estão  pedindo passagem para revelar talentos. O simples aprender de um instrumento musical pode  mostrar  que estamos diante de um grande músico. Experiências brasileiras  na formação de orquestras juvenis confirmam esse predicado. O voleibol  vencedor do Brasil, também  traduz isso.  Bernardinho, treinador da seleção brasileira, consegue agregar o talento ao comunitário. Uma equipe onde todos são rigorosamente titulares. Habilidades  colocadas a serviço de uma mentalidade vencedora. Bernardo é um líder. Enxerga em seus atletas toda a potencialidade, capaz de mudar o jogo. Uma equipe muito longe de ser apenas expectadora.

Essa conversa prossegue  assumindo seu  ápice quando define que nada poderá substituir o capital humano. Nenhuma tecnologia substituirá a capacidade em inovar de uma equipe. “Podem levar todos os meus ativos, mas não levem minha equipe”, ensina com uma simplicidade admirável. Segue  afirmando  que o dinheiro pode comprar conhecimento. Jamais comprará pessoas.  Há uma lógica em todo  o conjunto da entrevista dada para aqueles privilegiados jovens.
                    
Enfim, conclui afirmando, a necessidade da inovação como resposta aos novos desafios,  sejam eles sociais, educativos, culturais.  A lição do conceito de autoridade fica claro. O poder precisa se renovar para entender o significado da palavra serviço.  Dito de outra forma, a única maneira de educar é pelo exemplo.

A entrevista é concluída com uma análise da palavra responsabilidade. Essa palavra  pronunciada tantas vezes, apenas significa a capacidade para responder perguntas vitais  trazidas pelos desafios de uma vida corrida a  exigir compromissos cívicos. Esse patrimônio é missão de todos nós. Formar pessoas competentes dotadas de excelência, sujeitos que respeitem suas comunidades e que façam de suas instituições, públicas ou privadas, verdadeiras aulas de educação. Fico a imaginar a sede daquela juventude presente em traduzir esse aprendizado em  atitudes de vida...

Autor: Carlos Alberto Barcellos - Professor
Sugerido por: ONG Parceiros Voluntários - canb@cpovo.net

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