O empresário Jorge Gerdau participou esses dias de um encontro promovido pela Junior Achievement . Quatrocentos jovens refletiram sobre o tema “O Empreendedorismo como fator de desenvolvimento. “ Para quem não conhece a Junior, trata-se de uma empresa sem fins lucrativos a desenvolver a cultura do empreendedorismo entre jovens. Foi sabatinado sobre questões relevantes do mundo e escolha profissional. Permito-me, ousadamente, dividir com os leitores a essência daquela fala.
Começa falando que nenhum país se desenvolverá se a ele estiver atrelada a cultura do cerceamento das liberdades, sejam elas chamadas religiosas, culturais, políticas. A liberdade da expressão é condição para o desenvolvimento. Aliás, o crescimento de uma nação estará sempre atrelado a construção de uma sociedade que perceba o fortalecimento do civismo como condição e garantia das ditas liberdades.
Quando questionado sobre a questão da sustentabilidade social, fala com sabedoria que a mesma não se separa da econômica e ambiental. Robert Putmann afirmou que o desenvolvimento de qualquer nação precisa estar ligado ao crescimento do seu povo. Isso também significa garantir a preservação do meio ambiente, permitindo que o ecosistema seja respeitado e visto como a casa de todos nós. Alguém dirá: “Que coisa mais óbvia. Sim, é verdade!” Nessa simplicidade se esconde um dos maiores preceitos éticos a ser legado para as novas gerações.
É possível formar um líder? Gerdau responde que não. A visualização do capital social de liderança está ligado as oportunidades que forem dadas as novas gerações. Oportunidades que podem nascer do olhar profético diante da criança e do jovem que será capaz de fazer a diferença em sua comunidade. Lideranças de todos os quadrantes estão pedindo passagem para revelar talentos. O simples aprender de um instrumento musical pode mostrar que estamos diante de um grande músico. Experiências brasileiras na formação de orquestras juvenis confirmam esse predicado. O voleibol vencedor do Brasil, também traduz isso. Bernardinho, treinador da seleção brasileira, consegue agregar o talento ao comunitário. Uma equipe onde todos são rigorosamente titulares. Habilidades colocadas a serviço de uma mentalidade vencedora. Bernardo é um líder. Enxerga em seus atletas toda a potencialidade, capaz de mudar o jogo. Uma equipe muito longe de ser apenas expectadora.
Essa conversa prossegue assumindo seu ápice quando define que nada poderá substituir o capital humano. Nenhuma tecnologia substituirá a capacidade em inovar de uma equipe. “Podem levar todos os meus ativos, mas não levem minha equipe”, ensina com uma simplicidade admirável. Segue afirmando que o dinheiro pode comprar conhecimento. Jamais comprará pessoas. Há uma lógica em todo o conjunto da entrevista dada para aqueles privilegiados jovens.
Enfim, conclui afirmando, a necessidade da inovação como resposta aos novos desafios, sejam eles sociais, educativos, culturais. A lição do conceito de autoridade fica claro. O poder precisa se renovar para entender o significado da palavra serviço. Dito de outra forma, a única maneira de educar é pelo exemplo.
A entrevista é concluída com uma análise da palavra responsabilidade. Essa palavra pronunciada tantas vezes, apenas significa a capacidade para responder perguntas vitais trazidas pelos desafios de uma vida corrida a exigir compromissos cívicos. Esse patrimônio é missão de todos nós. Formar pessoas competentes dotadas de excelência, sujeitos que respeitem suas comunidades e que façam de suas instituições, públicas ou privadas, verdadeiras aulas de educação. Fico a imaginar a sede daquela juventude presente em traduzir esse aprendizado em atitudes de vida...