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Artigos

08/07/2009
A terceira inteligência

Todos os dias somos cercados por notícias sobre violência, drogas, corrupção, crise. Seja pela mídia, amigos, vizinhos ou parentes, sempre recebemos, em algum momento, informações que revelam o quanto  tem aumentado os índices de pobreza e de insegurança, que nos desanimam e pouco a pouco constroem uma barreira de desconfiança entre as pessoas. Mas será o ser humano assim tão maléfico? De que forma a nossa inteligência responde a tudo isso?

Em meio a essa descrença  pela boa vontade humana, precisamos olhar um pouco para o lado e procurar ver o que muita gente anda fazendo de bom na comunidade onde vive. São com exemplos de superação e de construção que podemos renovar nosso ânimo e enxergar que nossos problemas, na maioria das vezes, não são nada perto do vivido por outros. E esses exemplos não estão distantes. Não fazem somente parte da história de grandes países. São pequenas ações como a de jovens de uma escola pública da Capital que resolveram dizer não ao bullying; gaúchos comuns do interior do Estado que se uniram para tirar o lixo do rio e se depararam com toneladas de entulhos recolhidos; crianças que se vestem de palhaço para fazer nascer sorrisos em outras crianças internadas em um hospital;  jovens que conseguiram se livrar das drogas graças ao trabalho de pessoas que fizeram mais do que seu cargo burocrático determinava.

Todas essas iniciativas são comandadas por nossas três inteligências: a primeira, a intelectual, é o famoso QI (quociente de inteligência), que nos permite elaborar os projetos para solucionar problemas objetivos. A segunda, a emocional, é a faísca que nos impulsiona quando vemos uma situação de injustiça e nos dá combustível para trabalhar na melhoria de uma região ou de nossa comunidade. É a nossa emoção, compaixão, revolta. Mas existe também uma terceira inteligência, chamada inteligência espiritual. E é essa capacidade que intuitivamente norteia todas as nossas ações. Sua base empírica reside na biologia dos neurônios, pesquisada nas últimas décadas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos elétricos do cérebro). A terceira inteligência representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo e é por meio dela que percebemos os contextos maiores da nossa vida, as totalidades significativas e nos faz sentir inseridos no todo. 

O nome espiritual nada tem a ver com práticas e conceitos religiosos e doutrinários. A espiritualidade pertence ao homem e não é monopólio das religiões. Essa inteligência se sobrepõe a interesses materiais e econômicos e se caracteriza pela generosidade, respeito ao próximo, ética. Ela nos faz transcender ao ego, como diz o médico Deepak Chopra – autor de mais de 25 obras sobre autoconhecimento traduzidas para 35 idiomas –, substituindo a pergunta O que vou ganhar com isso? por Como posso ajudar?

A solução para velhos e novos problemas reside na simplicidade. Quando somamos forças para resolver uma situação, na maioria das vezes acabamos construindo muitas coisas boas, que acabam servindo de exemplo para outras pessoas e, assim, em uma reação em cadeia, multiplica uma rede de solidariedade e de resultados. Dessa forma, talvez, possamos substituir aos poucos o substantivo medo pelo verbo esperançar. 

Autor: Maria Elena Pereira Johannpeter - Presidente Executiva (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários
Sugerido por: ONG Parceiros Voluntários

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